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A penetração da Internet no Brasil vem crescendo de forma constante ao longo dos últimos anos, um êxito digno de celebração. Entretanto, com o advento da Internet móvel, a adoção da Internet fica bem atrás da sua disponibilidade, por razões que se tornam imprescindíveis entender.

De 2006 a 2013, a taxa de crescimento anual composta (CAGR) de penetração da Internet foi de 9%. Este número destaca duas tendências importantes: em primeiro lugar, a Internet tornou-se muito mais acessível; em segundo, uma grande parte da população do Brasil apropriou-se rapidamente da Internet. Em 2013, havia mais de 103 milhões de brasileiros usando a Internet, que representa 51,6% da população nacional.

Tabela 1. Fonte ITU (2014)

Embora o crescimento no uso da Internet tenha sido rápido, existe uma grande parte da população que nunca acessou a Internet. Para que os atores (ou partes interessadas) abordem tal exclusão digital, é importante entender sua origem.

A primeira hipótese que se poderia enfocar é se o acesso à Internet está disponível para aqueles que desejam usar a Internet. A tabela abaixo mostra que a disponibilidade já não é um problema tão grande. Devido à ampla disponibilidade de celulares, quase 90% dos brasileiros possuem acesso à Internet móvel em 2013, muito mais do que os 52% que usam a Internet.

Tabela 2. Fonte ITU (2014)

Uma explicação para a diferença entre a disponibilidade e a adoção da Internet móvel pode ser as condições de acesso ou acessibilidade - o fator de custo pode colocar o acesso à Internet fora do alcance de muitas pessoas. Nesta linha, há evidências interessantes. Com base nos dados disponíveis de 2013, o custo da banda larga móvel foi de 3,23% da renda per capita média, abaixo da taxa máxima de 5% proposta pela Comissão de Banda Larga para o Desenvolvimento Digital da União Internacional de Telecomunicações (UIT). A banda larga fixa, com um custo de 1,42% da renda per capita média, é ainda mais acessível em locais onde está disponível.

Se não se trata da disponibilidade ou da acessibilidade, para entender quais são as principais barreiras da adoção da Internet, recorreu-se à pesquisa anual de TICs do CETIC.br (Centro de Estudos Regional para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação no Brasil). Este é um recurso único e de valor inestimável, não só pela série histórica desde 2006, mas também porque alcança indivíduos e domicílios que ainda não estão conectados à Internet e pergunta quais são suas razões para não acessar a Internet.

O gráfico a seguir ilustra as principais razões identificadas por não-usuários da Internet entre 2007 e 2013 - os indivíduos podem escolher a quantidade de razões que consideram relevantes. Os resultados confirmam especialmente que a disponibilidade e a acessibilidade não são temas relevantes, já que somente ¼ dos não-usuários identificou este motivo. Por outro lado, 70% mencionou a falta de necessidade e interesse, e 70% também citou a falta de habilidades, como motivos principais.

Tabela 3. Fonte CETIC.br (2014)

Isto sugere uma área-chave para atuação das múltiplas partes interessadas em aumentar a adoção da Internet, que deveriam focar no lado da demanda - oferecer conteúdo local relevante para despertar interesse em não usuários e capacitação para que possam ingressar na rede. Os temas no lado do provimento (disponibilidade e custo do acesso à Internet) continuam importantes, porém são secundários de acordo com os resultados da pesquisa.

É  interessante notar que os números da pesquisa ilustrados na Tabela 3 não são representativos do total da população, e representam os motivos identificados por uma quantidade decrescente de não-usuários da Internet. Conforme demonstrado na linha negra da tabela abaixo, o número de usuários entrevistados que não usaram a Internet vêm diminuindo  constantemente. Neste sentido, os 70% de não-usuários que mencionaram a falta de necessidade ou interesse como motivo para não usar a Internet em 2013, representam aproximadamente 29% da população, uma tendência que tem sido estável ao longo do tempo. Esta linha igualmente se aplica de maneira geral às principais tendências.

Tabela 4. Fonte CETIC.br (2014)

Como resultado, é importante concentrar os esforços na persistente minoria dos brasileiros que não são afetados pelo aumento da disponibilidade ou pelos custos mais baixos. Ao se aprofundar nos dados, dentro do grupo que menciona a falta de necessidade ou interesse, há uma diferença relativamente pequena por região, gênero, grau de instrução e renda. O único indicador em que há uma diferença significativa refere-se à faixa etária, na qual apenas 27% dos indivíduos entre 10 e 15 anos mencionam a falta de necessidade ou interesse como motivos para não acessar a Internet, ao passo que 81% dos indivíduos com mais de 60 anos apontam esta razão. No que tange aos outros fatores, há ainda menos diferenças entre os distintos grupos.

Tabela 5. Fonte CETIC.br (2014)

As conclusões extraídas destes dados são claras. Com a maior quantidade de usuários cobertos por acesso à Internet móvel, a disponibilidade e os custos desempenham um papel menos determinante na decisão de acessar a Internet. Para os responsáveis por políticas públicas no Brasil, há valiosas lições que podem ajudar a melhorar o número de usuários de Internet, e, portanto, permitir que os cidadãos se beneficiem das várias vantagens oferecidas pela Internet.

Entendemos que estas lições também serão úteis para outros países que buscam melhorar o nível de acesso à Internet: para estes países, outra lição é o valor dos indicadores detalhados coletados ao longo dos anos pelo CETIC.br.

Disclaimer: Viewpoints expressed in this post are those of the author and may or may not reflect official Internet Society positions.

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